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Neuroses e afins.

Terminei minha faculdade no começo do mês e estou de varde for the time being. Tô aproveitando pra dar uma geral nas minhas coisas e estou revendo meu material acumulado nesses cinco anos. Guardei tudo, TUDO, pra que essa hora chegasse e eu pudesse decidir o que me seria útil ou não, o que poderia ser guardado além-aulas.

Nisso, estou encontrando muitas coisas interessantes! É bom poder rever assim porque muita coisa eu não lembrava e muitas estão se fixando com esse processo. Encontrei umas anotações sobre Gestalt-Terapia que gostaria de dividir.

Gestalt foi minha segunda escolha de abordagem no estágio de Clínica, mas acabei indo pra Cognitivo-Comportamental por uma peça do destino (?).

Enfim, chega de preâmbulos! Segue…

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NEUROSE

Para a Gestalt, neurótico é um indivíduo que não enxerga o óbvio, não sabe o que é necessário. Não entende e não agrega valor ao que acontece com ele.

Absorve tudo o que o meio empurra. Sua fronteira de interesses é móvel.

O indivíduo neurótico se vitimiza, se justifica e isenta a responsabilidade de seu status quo.

O neurótico é uma pessoa cujas dificuldades tornam infeliz sua vida atual. Não vive no presente.

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A Gestalt-Terapia basicamente constitui-se de três estruturas:

1. Figura/Fundo

Gestalt aberta: Visão equivocada, incapacidade de perceber a figura/fundo.

Queixa do Cliente: Figura

O que gera a queixa: Fundo

2. Todo/Parte

O ser humano é maior que a soma de suas partes, mais que o todo. Não somos prontos, nem acabados. A parte integra o todo.

3. Aqui-Agora

Estar presente no que está falando, sentir o que está experienciando. Assim se consegue fechar Gestalt. O agora é fundamental, o presente absoluto não existe.

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“Vemos as coisas como elas se apresentam e não como elas são”

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Para saber mais sobre:

Friederich Perls (o pai da abordagem)

O Conceito de Neurose em Gestalt-Terapia (artigo)

Gestalt – Princípios

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Publicado em amor, Blá blá blá..., Faculdade

one single breath

Finaaaaaaaaaaal da minha graduação! Última semana de tudo do curso, Quarta-feira último atendimento, última triagem, última aula e último trabalho. Senhoras e senhores, eu não sei o que pensar! Sério, tô tão aliviada, mas já tô com saudade de TUDO! Sei que vou ficar longe do mundinho universitário por um tempo e sinto saudades de fazer relatórios já, mesmo eu estando aqui me enrolando com o de Clínica. GOD! Mas vou sentir mais falta ainda das funcionárias da clínica, dos professores, orientadores e da minha parceira. Isso tudo eu nunca imaginei que sentiria há uns dois anos. Eu sempre amei meu curso, mas foi de uns dois anos pra cá (quando começou a prática, será?) que eu comecei a curtir de verdade. E agora acabou! It’s over! Acuma?!

Não sei o que fazer ainda. Sei que quero descansar um pouco, mas não muito. Quero manter o cérebro ativo, senão já viu, né? Vou prum congresso em Setembro, talvez continue frequentando as Semanas Psicológicas da Univali. E tem outro congresso SHOW em Curitiba bem no dia do meu aniversário (Outubro)! Esse quero muito ir, porque vai ter o Robert Hare, que é uma assumidade em criminalistica. Referenciei ele no meu TCC. Mas, veremos veremos…

Apesar disso tudo, parece que de hoje pra quarta faltam eras! Coisas e mais coisas pra fazer! Aff!

Semana passada encerrei o estágio de POT. Tão legal! Quisera eu que todos os campos de estágio tivessem sido assim. Um feeling de pertencimento gostoso. Queria continuar lá, mas acho que não rola, apesar da Direção ter brincado com a possibilidade. Bem que ela podia ter falado a sério, bandidona!!!

Fora isso, curtindo muito com meu amor. A minha graduação também sinaliza um passo grande pra nós. Vai ser bom, bem bom! Amo nossas coisas e tudo que temos!

Nova fase, hurray! Simbora ver no que dá! 😀

/paranóia ansiosa

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Na cozinha.

Então acabou que fiquei mermo na cozinha. E quer saber, é bem melhor. Principalmente porque tem espaço pra eu me espalhar (isso é, as minhas coisas!) na mesa e dá a sensação de estar em casa. É bem mais tranqüilo do que na minha antiga sala, apesar do pessoal entrando pra tomar café. E além do mais, fico por dentro de todos os basfóns que rolam nos undergrounds. Hohoho.

Sério, tô gostando muito.

Falando em cozinha, essa tarde meu amor preparou uma sobremesa deliciosa de creme belga com brigadeiro. Ficou divina! Eu estaria a atacando agora, não fosse pela enxaqueca feladapota que me deu essa tarde e que deixou meu estômago todo revirado. Uhg!

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Temos novos vizinhos e acho que eles estão em processo de comemoração de mudança, porque estão até agora num festerê maldito! Cara, duas e meia da matina! Ninguém merece. Ainda ficam jogando bola aqui na rua e o barulho reverbera na minha cabeça latejante. GODS!

Agora também temos um quintal limpo. Um amigo americano da Téia veio fazer esse serviço ingrato pra nós. Apesar de que teremos ainda que dar os retoques finais, ficou bem melhor já! E sendo que agora tomaram nossa rua, podemos jogar bola por aqui mesmo. Yay! 😀

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Nossa gata, Touché, estava dodói há alguns dias, com falta de apetite, vômito e fígado inchado, mas agora se sente bem melhor, graças! Coisa ruim quando se tem um bichinho doente, né? Preocupação em dobro, uia!

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Ah! Coisa mais absurda: Fizeram um despacho aqui na esquina essa manhã! Com direito a tudo quanto é tipo de frutas, rosas vermelhas e sacrifício de galinhas. Que gente é essa?! Sinto muitíssimo pelas galinhas, sério mesmo. Nos disseram que pelos elementos foi uma mandinga de amor. Meodeos, né. #semata. Como disse a Téia: “isso que dá morar em encruzilhada”. Os vizinhos novos que devem ter gostado do presente de boas-vindas.

No mais, nada de mais. 😉

Cheers.

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*facedesk*

Vou contar um causo que aconteceu semana passada, mas esqueci de relatar aqui antes.

Primeiro deixa eu ambientar vocês: tô fazendo estágio de Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) numa empresa aqui de Navega City. Nesse estágio eu tô fazendo agora uma pesquisa de Clima Organizacional, pra mó de levantar variáveis que possam ou não interferir no ambiente de trabalho. Etecetera, etecetera. Terminei hoje de montar o questionário que vai investigar essas variáveis e amanhã começo a aplicação dele com os grupos.

Tá.

Quinta feira, então, chego no meu estágio e minha mesa não está lá. Primeiro tinha duas mesas na sala, depois deixaram só uma (a minha). Um dia cheguei não tinha cadeira. Computador pra mim nunca teve. Sabia que um dia eu ia chegar e não teria minha mesa. Só não sabia que colocariam um monte de compras no lugar. Falei com a secretária e ela não sabia de nada. Ninguém viu a mesa saindo da minha sala. Quase fui embora PORQUE NÃO TINHA MESA PRA EU TRABALHAR. Aí lembraram que um outro funcionário foi viajar e me colocaram no lugar dele, em outra sala. Beleuza, fui pra lá.

Agora, cês não tem noção do SOL que batia sobre essa mesa. Ela ficava na frente da janela, o sol bem nas minhas costas. Eu tava fritando alí e a luminosidade era tanta que eu mal via o que tava na minha frente. Fiquei me escondendo aqui e alí nas possíveis sombras, que eram raras. Ainda bem que nesse dia mesmo eu tinha bastante coisa pra fazer pelos setores, então pude ficar um tempo fora da sala e longe do sol.

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Oi sol.

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Aíii, lá vou eu aplicar o questionário piloto, que  é um protótipo do questionário final que a gente entrega pros três funcionários mais novos da empresa, pra eles verem a funcionalidade da coisa, tipo se é muito longo, muito chato, complicado, blabla. Entreguei. No fim da manhã fui buscar e o último que peguei eu tinha entregue prum funcionário que tava alí a dois dias. DOIS DIAS – se isso! Ele fez um rabisco no piloto dizendo que a variável que questiona os fatores ambientais como ruído, luminosidade e temperatura não era “interessante” avaliar.

Não é interessante? Ex-cuse-me? Porque é bem fácil trabalhar com o sol queimando nas costas e sem se enxergar nada na frente, né? Eu fiquei nessa situação por uma manhã e já me compadeci completamente do funcionário que tem que trabalhar ali integralmente. Sério, sou obrigada a levar isso pra Direção. OU comprar um blackout pra ele, não é possível.

Aí o fulano que tá há DOIS DIAS me diz que não afeta em nada os fatores ambientais.

¬¬

God, dai-me paciência. Me faz um favor e se não sabe não fala. #prontofalei

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Amanhã então vou aplicar meu lindo questionário que tô montando desde o começo do semestre. Sobre ele, minha professora diz que poderia ficar melhor, mas minha mãe disse que parece super-profissional. E todos sabemos que opinião de mãe é a que vale, né?

Né.

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Cheers, kiddos!

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Rapidinha.

O início… B. F. Skinner.

O encontro… F. S. Keller.

Os percalços em busca de um mundo melhor… nós, os analistas do comportamento.

Tirado do prefácio de um dos volumes da série “Sobre Comportamento e Cognição”. Não lembro exatamente qual. 🙂

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Dancing barefoot…

Comunidades do orkut que eu vou sair depois que me formar: A Faculdade me consome e I should be studying right now. Também tinha outra, Estagiário vai pro céu, mas eu devo ter saído já, porque não encontrei. Entre outras…

Pois então, faltando 150 e poucos dias pra minha formatura agora. Esse último semestre tá bem so-so. Uma hora tenho pontos baixos e em outra pontos bem altos. Segunda-feira descobri que vou me separar da minha parceira de facul, parceira essa de quatro anos já, e fazer o estágio de POT sozinha, aqui em Navega City, ainda por cima -essa parte é boa ;). Aí hoje já fui convocada pra apresentar um seminário de estágio no III Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão, em Setembro, em SP. Isso porque minha professora orientadora do estágio de Educacional achou que eu fiz um trabalho ninja ano passado! =D

O ruim (MUITO ruim) é que não sei ainda se meu amor vai poder ir comigo, o que eu gostaria TANTO! O tal Congresso é só para profissionais e acadêmicos da área e o transporte será doado pela universidade, mas só pra quem estiver inscrito. Pagar uma viagem e estadia pra Téia sairia um tanto caro, aí. Mas quem sabe a gente não encontra uma alternativa? Seria ótimo, porque temos amigos em Sampa que gostaríamos de visitar! =)

Hoje também foi a primeira sessão com minha nova cliente e é um caso de Pseudologia Fantástica que me deixou super animada! Semana que vem ainda tenho outro cliente novo. Isso renovou meus ânimos no estágio de Psicologia Clínica e agora minhas quartas de manhã não são tão evitadas.

Minhas semanas ainda estão light porque falta definir meu campo de estágio em POT. Semana que vem tenho que resolver isso, mas por enquanto tenho atividades só nas Segundas e Quartas-feiras. Depois entra Terça e Quinta também, mas minhas Sextas estarão livres, yay! Aí minha Quinta vai ser minha Sexta e meu fim de semana vai começar mais cedo 😀

Coisas a fazer ainda: Finalizar meu artigo sobre Psicologia Criminal com meu orientador do TCC e arranjar um estágio remunerado pra ocupar minhas tardes sonolentas. Ah, e ir ao oftalmologista, causo que esses óculos não funcam mais tão bem. E também começar a ler O Silêncio dos Inocentes, pro videoblog da Tata, no Happy Batatinha (isso é um spoiler, Tata?).

Falando em tardes sonolentas, estou com problemas no sono noturno. Simplesmente deito e não consigo dormir! Minha média de horas dormidas por noite é entre uma e três horas. Aí chega de tarde e eu to “caindo pelas tabelas” como diria minha mãe. Espero que isso se resolva logo, eu aprecio muito minhas noites bem dormidas, uia!

Bem, vou lá tentar ler O Silêncio… apesar de que o que eu gostaria mesmo de ler é Strangers in Paradise. Ain, com é ruim ter responsabilidades! X)

Cheers, kiddos!

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Tédio e fúria

bem, não fúria assim, mas um sentimento muito grande de frustração! Por que, por que, meodeos, sempre tem alguém que em algum momento, quando não muita coisa pode dar errado vem e te atravanca o progresso, hein? Quem aí sente que sempre tem um ser no mundo que entra na sua vida pra te encher os pacová levanta a mão!

_o/

Pois então!

Mas contarei o que me aflige:

Hoje de manhã, levantei cedinho como sempre e fui pra construtora a pé – já que minha parceira de faculdade e dona da motoca está num congresso de Psicologia em Goiás, o qual eu gostaria muito de estar também mas me faltou tempo ($$$) -, disposta já a passar uma manhã tediosa fazendo nada e fingindo que tô fazendo tudo de muito útil. Só fui mesmo porque tinha que pegar as folhas ponto do mês.

Então, cheguei, sentei e já saquei meu celular, disposta a torrar todo meu saldo de dados na Internet, twittando, jogando, coisas coisas assim… Isso ia bem até umas 09:30, quando o cel começou a avisar que a bateria ia acabar e quando isso acontece ele apaga as luzes do visor e do teclado, dificultando muito as coisas e fazendo eu me sentir não-querida. É tipo quando a gente já tá cansada de uma visita, sabe?, e começa a levar ela pra sala, perto da porta, dá uns bocejos, comenta a hora, põe pijama, escova os dentes… esses pequenos gestos carregados de uma sutileza ímpar. De formas que me senti encubida de deixar o recinto. Desliguei o celular e catei a Liesel, pra me acompanhar por mais aquelas horas fatídicas.

Estava eu então bem acompanhada quando decidi que já devia ir até a sala do Departamento Pessoal ver se a moça – e supervisora do nosso estágio na construtora – já tinha ajeitado os pontos e tals. Subi escada, entrei bem simpática e com toda boa educação perguntei se ela já tinha feito (entregamos pra ela isso na segunda-feira). Ela disse que não, mas que logo mandaria a auxiliar me entregar tudo pronto lá embaixo. Desci escada e voltei à minha leitura e à minha insignificância. À essa altura eu já nem escondia mais que não tava fazendo nada, afinal de contas, minha mesa fica bem num lugar de passagen de funcionários e não se pode disfarçar uma coisa dessas por muito tempo. No entanto, se alguém me interrogasse eu diria que aparentava que eu não estava fazendo nada, mas que no nível molecular eu estava extremamente ocupada. Heh.

Meu plano inicial era sair às onze – uma hora antes que o usual – porque não queria chegar muito tarde pro almoço em casa e gostaria de ajeitar as coisas pro compromisso que teria à tarde. Sendo assim, às 10:40 subi escada de novo. Entrei na sala e vi que tava cheia de gente e a mulher toda atarefada. Resolvi não atrapalhar. Desci escada e voltei à minha leitura e à minha insignificância [2]. Onze e quinze subi escada de novo, entrei na sala e a mulher me olhou com uma cara de “vem cá te conheço” e perguntou o que eu queria (¬¬). Bem educadamente e com certa gentileza (inacreditável, mas às vezes eu consigo essas façanhas) perguntei de novo se ela tinha aprontado os documentos. Ela disse que nem tinha visto ainda! Eu disse que iria sair mais cedo porque estava à pé e ele respondeu que logo mandaria a auxiliar levar pra mim lá embaixo. Desci escada, fui pra cozinha, comi Trakinas. E realmente logo veio a auxiliar, ela me entregou os papéis, eu os guardei na mochila e vim toda feliz pra casa. Cheguei a tempo pro almoço e tudo! =)

Aí, em casa, fui ver o que ela me entregou.

Gódi, dai-me forças.

A Zé Baitaca da mulher não me assinou TUDO, todo o horário do mês, com meia hora A MENOS por dia??? Eu e a Michelle sempre fazemos questão de chegar meia hora mais cedo e sair depois do meio-dia, pra assim as horas extras cubrirem os feriados que estão caindo nos dias do estágio. Isso pra não ter que ficar até o meio de Dezembro cumprindo hora. Agora, todo o esforço do mês foi em vão! Teve uma vez que saímos 11:58 e  a mulher marcou lá no ponto ONZE E CINQUENTA E OITO. Aí resolvemos sair sempre 12:05. 12:15 e a tongona me marca TUDO ONZE E MEIA?!?!?!??! Vê se não é pra ficar de cara, gente???

ffffffffuuuuuu

Mas é sempre que nesses estágios tem um aleatório assim que faz uma viadagem dessa, sabia? Tem gente que questiona porque estamos em dupla, porque não só uma, entre outras coisas. Por que isso, me digam??? Eles não pagam NADA pra gente, muito pelo contrário: a gente paga pra prestar serviços pra eles!!!

Gente horrível, fui!!! Vontade de dar na cara de um!

Hunf!

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Des-(h)umanização nos hospitais

Já que eu tenho que ler tudo que é coisa, inclusive coisas que não muito me interessam, might as well tirar algo de bom delas, não é mesmo minha gente?

/Pollyana

Queria poder continuar com minhas Brumas (de Avalon, claro), ou começar uma A. Christie, mas for the time being eu fico com textos técnicos-científicos mesmo.

Não vejo a hora de me formar (295 dias)!

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Esses são trechos de um livro sobre urgências psicológicas no hospital (pro programa do estágio de Psicologia clínica sobre hospitalização infantil, no Pronto-Socorro do Hospital Universitário Pequeno Anjo, de Itajaí – até hoje me pergunto porque escolhi esse programa, mas o pior é que sei a resposta, damn it!), que fala sobre a postura do profissional da saúde frente aos pacientes e o fenômeno de desumanização que eventualmente ocorre em settings hospitalares e afins.

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  • “Ao negar a dor do outro, o profissional da saúde não apenas nega a dor do seu semelhante como também a sua própria condição humana, pois dentre as virtudes humanas, uma das que mais nos diferencia de outras espécies é justamente aquela que nos capacita a compreender e a apreender a dor do outro naqueles momentos onde a fragilidade humana deveria evocar uma outra virtude humana: a fraternidade”. [p. 47]
  • “… lamentavelmente temos a concluir que por mais que se fale e se discuta a humanização do atendimento hospitalar e, por conseqüência, do profissional da saúde, o que mais assistimos é a total desumanização da figura do doente. Na mesma proporção do avanço tecnológico que assistimos em termos de equipamentos e recursos hospitalares, numa ordem inversa, mas infelizmente, na mesma simetria, assistimos a adoção da calosidade profissional numa total desumanização da prática da saúde”. [p. 48]
  • “… não me ouço como ouço os outros, a existência sonora de minha voz é mal desdobrada: é antes um eco de sua existência articular, vibra mais através de minha cabeça do que lá fora, mostrando que a própria percepção no quesito voz está a ter um contraponto com o imaginário no sentido de fazer de cada relacionamento algo tangível pela concepção criada e erigida no imaginário, seja em termos de atendimento de um doente em fase terminal, seja ainda em qualquer outra forma de relacionamento interpessoal. É a minha percepção que determina a própria criticidade que irá determinar o pontuamento de como a relação com o paciente se dará e em que níveis a própria congruência de sua dor e sofrimento serão arqueados no raio de ação do limite determinado pela minha apreensão do seu fenômeno de dor”. [p. 51]
  • “… a vida autêntica é a que se baseia numa apreciação exata da condição humana. A busca da autenticidade é a própria busca da condição humana naquilo que ela tem de mais peculiar e sublime: a consciência de si e do outro. É na autenticidade que o homem se torna, através da consciência, homem na busca de valores que irão determinar-lhe essa condição”. [p. 52]

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CAMON-ANGERAMI, V. A. Breve reflexão sobre a postura do profissional da saúde diante da doença e do doente. In: CAMON-ANGERAMI, V. A. (org). Urgências Psicológicas no Hospital. Cap. 3. São Paulo: Pioneira, 1998.

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Like a final countdown…

*introdução da música do Europe*

Faltam 296 dias pra minha formatura!

e SETE semanas pro fim desse ano letivo!

\o/

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A arte de ouvir

Vez em quando volto a constatar isso, e me surpreendo cada vez: muito das situações problemas presentes nos cotidianos das pessoas iriam embora se elas tivessem alguém pra compartilhar os sentimentos, pra ouvir. Mas, tipo assim, alguém que ouça mesmo, saca? E acolha, e absorva o que é dito. Já ouvi dizer que “quem não tem amigos vai pra clínica de psicologia” e acho que é mais ou menos isso.

Tem gente que gosta de se sentir acolhido, ao ponto de chegar pra alguém totalmente estranho e se abrir, contar coisas que ninguém mais sabe. Pra mim, trabalhar com isso é um privilégio – mesmo – e a cada experiência dessa eu amo mais minha profissão/arte.

Quantas e quantas vezes fui pra casa me questionando como poderia ajudar aquele cliente, como poderia criar um processo terapêutico que lhe aliviasse as angústias e  lhe fosse positivo. É verdade quando eu digo que penso mesmo nisso, e corro atrás e me empenho pra tentar obter um resultado favorecedor pra ambas as partes.

Claro que, na clínica, a situação é bem diferente de uma entrevista de análise de cargos, por exemplo, que faço na construtora. Ouvir sobre as funções de alguém dentro de uma empresa é vbem diferente. E, como as pessoas não vão até nós voluntariamente – afinal, essa descrição e análise de cargos está sendo feita por ordens da diretoria da construtora – o desconforto delas estarem alí se torna às vezes bastante evidente.

Mas na clínica não, a pessoa está alí disposta a mudar um comportamento, se conhecer, se adaptar, se fortalecer. E sendo que ter amigos nunca foi uma política minha mesmo, eu vou pra clínica de psicologia. Não pra alterar um comportamento meu, ou me adaptar, mas pra me conhecer também, e olhar nos olhos de alguém e o ouvir durante 50 minutos – que pra esse alguém já acarreta numa melhoria imensurável. Portanto, me = happy! 😀