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Ouça o que eu digo: não ouça ninguém.

Hoje vim dar uma desabafada.

Tenho notado ultimamente como tem surgido essa infeliz tendência de algumas pessoas de serem do contra. Não é só ser do contra, assim, naturalmente, por simplesmente gostar de outras coisas e tals, mas pessoas que fazem questão de ser do contra. Insistem em nadar contra a maré, de uma forma forçada que chega a dar nojo de ver. Eu tenho uma raiva de gente assim, pego nojinho fácil fácil. Oras, que idéia mais estapafúrdia é essa de rejeitar as coisas com tal facilidade, antes de conhecê-las, de testá-las, prová-las?

Tem toda uma geração aí que faz questão de repudiar coisas populares, modernas e nacionais. Esse tipo de gente ta em toda parte, é tipo uma praga. Que idiotice é essa, não apreciar coisas nacionais? Xenofobia ao contrário, nunca vi disso! Pois como pode alguém não curtir uma bossa nova, uma mpb gostosa que faz a cabeça?

Ouvir música internacional, ininglish, infinnish, é bem fácil, né? Não se entende lhufas mesmo, podem estar me xingando, convocando o diabo, que tô nem aí. Gente que não fala um nada em inglês e só ouve música de fora. Que pedantismo, que burrice absurda. Ainda, pra não seguir a maré, não seguir o gado, vasculham as profundezas da internet pra continuar sendo diferente onde todo mundo é igual. É um campeonato de quem conhece a banda mais desconhecida. Bandas que fazem um som todoigual, que na real, só muda o nome mesmo e não faz a menor diferença quem tá cantando ou não.

Eu não entendo essa de ser diferente. Hoje em dia, ser diferente é igual. Curtir coisas antigas, dizer que LP é melhor que CD, que Toddy é melhor que Nescau, que Inglaterra é melhor que Brasil, só pra ser diferente e com isso renegar tudo que não segue essa regra sem nenhum embasamento empírico? Ora, me poupe, né?

Vamos raciocinar, minha gente! Vamos andar pra frente. Chega desses “modismos clássicos”, de querer ser uma eterna criança, de achar que Brasil é bunda e que se todo mundo gosta então não presta. Uma alma autêntica de verdade encontra belezas, grandezas, maravilhas em qualquer contexto, em qualquer língua, em qualquer década. Outros países, outros tempos, também fazem/fizeram porcaria. Não os supervalorize.

O novo já nasce velho, hoje em dia. Esse estilinho “cores sujas, tons pastéis, look retrô” não é nenhuma novidade, minha filha. Tanto não é novidade que hoje em dia só está na moda de novo por que já esteve em voga antes. Como eu disse, o novo nasce velho e o velho nasce de novo.

Preocupe-se em ser você mesmo, embora eu acredite que no meio de tanta influência e vontade de se encaixar, seja difícil se definir, saber o que é seu, inato. Mas vai treinando que cê chega lá. Não há nada mais bonito que ser autêntico, se sentir, se conhecer, se permitir ser o que é. Não usar uma embalagem pra ser igual na diferença, ser diferente na igualdade.

Tem um trecho da Liane dos Santos (poeta brasileiríssima, maravilhosa) que diz, “não há nada de novo no que eu digo, não há nada de novo no que eu faço. A diferença é que agora EU existo”. É bem isso, ninguém é diferente de ninguém, ao tempo que ninguém é igual a ninguém.

Entendeu ou quer que eu desenhe?

Não tente se definir tanto, o negócio é seguir a maré, sacou? Deixe a vida te levar! E tenha um pouco de discernimento nessa cuca, não faça da sua cabeça o espaço entre as orelhas. Que tal aproveitar que ela tá ali e fazer algo de útil com ela?

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O cérebro é como um pará-quedas. Só funciona quando está aberto. – James Dewar

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😀

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* Na foto: Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii – Vitimas de muitos pseudo-intelectuais “mudernos e diferentes” por aí.

2 comentários em “Ouça o que eu digo: não ouça ninguém.

  1. Querida querida,
    navegando por aí através do meu nome (tomando cervejas numa tarde de folga) deparei-me com seu blog e a referência ao poema “Mensagem;’ do meu livro Verão. Que coisa mais bacana; você escreve muito bem, é divertida e vibrante. Fiquei honrada em ser citada por você; posso lhe mandar outro livro mais recente se vc me der um endereço para tal. De qualquer forma fico agradecida pela sua sensibilidade e lhe desejo ótimos estágios e contratações na vida. Beijos, Liane dos Santos

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