Publicado em Leitura

Veronika Decide Morrer

trechos do livro do Paulo Coelho, leitura atual.

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– Não sei o que é um louco – sussurrou Veronika. – Mas eu não sou. Sou uma suicida frustrada.
– Louco é quem vive em seu mundo. Como os esquizofrênicos, os psicopatas, os maníacos. Ou seja, pessoas que são diferentes das outras.
– Como você?
– Entretanto – continuou Zedka, fingindo não ter escutado o comentário – você já deve ter ouvido falar de Einstein, dizendo que não havia tempo nem espaço, mas uma união dos dois. Ou Colombo, insistindo que do outro lado do mar não estava um abismo, e sim um continente. Ou de Edmond Hillary, garantindo que um homem podia chegar ao topo do Everest. Ou dos Beatles, que fizeram uma musica diferente e se vestiam como pessoas totalmente fora de sua época. Todas essas pessoas – e milhares de outras – também viviam no seu mundo. [p. 40]

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– Está frio, mas é uma bonita manhã – disse Zedka – É curioso, mas minha depressão nunca aparecia em dias como este, nublados, cinzentos, frios. Quando o tempo estava assim, eu sentia que a natureza estava de acordo comigo, mostrava minha alma. Por outro lado, quando aparecia o sol, as crianças começavam a brincar nas ruas, eu me sentia péssima. Como se fosse injusto que toda aquela exuberância se mostrasse, e eu não pudesse participar. [p. 46]

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“Não é possível. Eu nunca fui assim. Eu nunca lutei por bobagens”.

Parou no meio do jardim gelado. Justamente porque achava que tudo era bobagem, ela terminara aceitando o que a vida lhe tinha naturalmente imposto. Na adolescência, achava que era cedo demais para escolher; agora, na juventude, se convencera que era tarde demais para mudar.

E onde gastara toda a sua energia, até o momento? Tentando fazer com que tudo em sua vida continuasse o mesmo. Sacrificara muitos de seus desejos, para que seus pais a continuassem amando como a amavam quando criança, embora sabendo que o verdadeiro amor se modifica com o tempo, e cresce, e descobre novas maneiras de se expressar. [p. 51]

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– Dessa vez vou lhe responder sem fábulas: a loucura é a incapacidade de comunicar suas idéias. Como se você estivesse num país estrangeiro – vendo tudo, entendendo o que se passa a sua volta, mas incapaz de se explicar e de ser ajudada, porque não entende a língua que falam ali.

– Todos nós já sentimos isso.

– Todos nós, de um jeito ou de outro, somos loucos. [p. 70]

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Autor:

Sou a Lee, 32 anos, psicóloga, criminóloga e professora de inglês. Concurseira de ocasião. Noiva da Téia, casada com o Johnny Depp, mãe de quatro gatas, dois cachorros e uma aranha. Moro numa caixa de sapatos à beira mar. Gosto de séries, livros e filmes, mas não tenho mais paciência/tempo como antes. Feminista e humanista, sempre estudante da Cognitivo-Comportamental. Gosto de cartas, postais (vamos trocar?), castelos, criminologia e felinos – não nessa ordem. Gamer pobre e – já mencionei? – sem tempo. Caixista por tempo indeterminado. Se não fosse tão preguiçosa seria perfeccionista. Sonho em um dia falar tudo o que penso mas não penso muito nisso.

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