Publicado em Faculdade, Leitura, Psicologia

Des-(h)umanização nos hospitais

Já que eu tenho que ler tudo que é coisa, inclusive coisas que não muito me interessam, might as well tirar algo de bom delas, não é mesmo minha gente?

/Pollyana

Queria poder continuar com minhas Brumas (de Avalon, claro), ou começar uma A. Christie, mas for the time being eu fico com textos técnicos-científicos mesmo.

Não vejo a hora de me formar (295 dias)!

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Esses são trechos de um livro sobre urgências psicológicas no hospital (pro programa do estágio de Psicologia clínica sobre hospitalização infantil, no Pronto-Socorro do Hospital Universitário Pequeno Anjo, de Itajaí – até hoje me pergunto porque escolhi esse programa, mas o pior é que sei a resposta, damn it!), que fala sobre a postura do profissional da saúde frente aos pacientes e o fenômeno de desumanização que eventualmente ocorre em settings hospitalares e afins.

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  • “Ao negar a dor do outro, o profissional da saúde não apenas nega a dor do seu semelhante como também a sua própria condição humana, pois dentre as virtudes humanas, uma das que mais nos diferencia de outras espécies é justamente aquela que nos capacita a compreender e a apreender a dor do outro naqueles momentos onde a fragilidade humana deveria evocar uma outra virtude humana: a fraternidade”. [p. 47]
  • “… lamentavelmente temos a concluir que por mais que se fale e se discuta a humanização do atendimento hospitalar e, por conseqüência, do profissional da saúde, o que mais assistimos é a total desumanização da figura do doente. Na mesma proporção do avanço tecnológico que assistimos em termos de equipamentos e recursos hospitalares, numa ordem inversa, mas infelizmente, na mesma simetria, assistimos a adoção da calosidade profissional numa total desumanização da prática da saúde”. [p. 48]
  • “… não me ouço como ouço os outros, a existência sonora de minha voz é mal desdobrada: é antes um eco de sua existência articular, vibra mais através de minha cabeça do que lá fora, mostrando que a própria percepção no quesito voz está a ter um contraponto com o imaginário no sentido de fazer de cada relacionamento algo tangível pela concepção criada e erigida no imaginário, seja em termos de atendimento de um doente em fase terminal, seja ainda em qualquer outra forma de relacionamento interpessoal. É a minha percepção que determina a própria criticidade que irá determinar o pontuamento de como a relação com o paciente se dará e em que níveis a própria congruência de sua dor e sofrimento serão arqueados no raio de ação do limite determinado pela minha apreensão do seu fenômeno de dor”. [p. 51]
  • “… a vida autêntica é a que se baseia numa apreciação exata da condição humana. A busca da autenticidade é a própria busca da condição humana naquilo que ela tem de mais peculiar e sublime: a consciência de si e do outro. É na autenticidade que o homem se torna, através da consciência, homem na busca de valores que irão determinar-lhe essa condição”. [p. 52]

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CAMON-ANGERAMI, V. A. Breve reflexão sobre a postura do profissional da saúde diante da doença e do doente. In: CAMON-ANGERAMI, V. A. (org). Urgências Psicológicas no Hospital. Cap. 3. São Paulo: Pioneira, 1998.

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Autor:

Sou a Lee, 32 anos, psicóloga, criminóloga e professora de inglês. Concurseira de ocasião. Noiva da Téia, casada com o Johnny Depp, mãe de três gatas, três cachorros e uma ranha. Moro numa caixa de sapatos à beira mar. Gosto de séries, livros e filmes, mas não tenho mais paciência/tempo como antes. Feminista e humanista, sempre estudante da Cognitivo-Comportamental. Gosto de cartas, postais (vamos trocar?), castelos, criminologia e felinos – não nessa ordem. Gamer pobre e – já mencionei? – sem tempo. Caixista por tempo indeterminado. Se não fosse tão preguiçosa seria perfeccionista. Sonho em um dia falar tudo o que penso mas não penso muito nisso.

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