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Save me, Baudelaire!

Ô Mon, vieux capitaine, il est temps! Levons l’ancre!
Ce pays nous ennuie, ô Mort! Appareillons!
Si le ciel et Ia mer sont noirs comme de l’encre,
Nos coeurs que tu connais sont remplis de rayons!

O my old captain, it’s time! Let’s raise the anchor!
This country bores us, O Death! Set sail!
If the sky and the sea are black like ink,
Our hearts that you know are full of rays!

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As dores e as delícias do ódio

O ódio sempre existiu e flui por todos os lados. Não é fácil existir e acumular fracassos, dores, solidão, questões sexuais, desafetos e uma sensação de que a vida é injusta conosco. O mais fácil é a transposição para terceiros. Um homem fracassa no seu projeto amoroso. O que é mais fácil? Culpar o feminismo ou a si? A resposta é fácil. Tenho certeza absoluta de que o autor do crime não era um leitor de Simone de Beauvoir ou Betty Friedan. Era um leitor de jargões, de frases feitas, de pensamento plástico e curto que se adaptava a sua dor.

Esses slogans são eficazes: “Toda feminista precisa de um macho”, “os gays estão dominando o mundo”, “sem-terra é tudo vagabundo”. Curtas, cheias de bílis, carregadas de dor, as frases entram no raso córtex cerebral do que tem medo e serve como muleta eficaz. No cérebro rarefeito a explicação surge como uma luz e dirige o ódio para fora. Se não houvesse feminismo, o assassino continuaria sendo o fracassado patético que sempre foi, mas agora ele sabe que seu fracasso nasceu das feministas e ele não tem culpa. Isto é o mais poderoso opiáceo já criado: o ódio.

[…]

Aqui começa a delícia do ódio. Ao vociferar contra outros, o ódio também me insere numa zona calma. Se berro que uma pessoa x é vagabunda porque nasceu na terra y, por oposição estou me elogiando, pois não nasci naquela terra nem sou vagabundo. Se ironizo com piadas ácidas uma orientação sexual, destaco no discurso oculto que a minha é superior. Todo ódio é um autoelogio. Todo ódio me traz para uma zona muito tranquila de conforto. Não tenho certeza se sou muito bom, mas sei que o outro partido é muito ruim, logo, ao menos, sou melhor do que eles. É um jogo moral denunciado por dois grandes judeus: Jesus e Freud.

Mas o ódio apresenta outra função interessante. Ela aplaina as diferenças do meu grupo. O ódio, como vários ditadores bem notaram, serve como ponto de união e de controle. O ódio é gêmeo do medo, e pessoas com medo cedem fácil sua liberdade de pensamento e ação.

[…]

O ódio é uma interrupção do pensamento e uma irracionalidade paralisadora. Como pensar é árduo, odiar é fácil. Se a religião é o ópio do povo para Marx, o ódio é o ópio da mente. Ele intoxica e impede todo e qualquer outro incômodo.

Por fim, o ódio tem um traço do nosso narciso infantil. O mundo deve concordar conosco. Quando não concorda, está errado. Somos catequistas porque somos infantis. A democracia é boa sempre que consagra meu candidato e minha visão do mundo. A democracia é ruim, deformada ou manipulada quando diz o contrário. Todo instituto de pesquisa é comprado quando revela algo diferente do meu desejo. Não se trata de pensar a realidade, mas adaptá-la ao meu eu. As crianças contemporâneas (especialmente as que têm mais de cinquenta anos como eu) batem o pé, fazem beicinho, mandam mensagem no WhatsApp e argumentam. Mas, como toda criança, não ouvimos ninguém. Ou melhor, ouvimos, desde que o outro concorde comigo; então ele é sábio e equilibrado. Selecionamos os fatos que desejamos não pelo nosso espírito crítico, mas por uma decisão prévia e apriorística que tomamos internamente.

Seria bom perceber que o ódio fala muito de mim e pouco do objeto que odeio. Mas o principal tema do ódio é meu medo da semelhança. Talvez por isso os ódios intestinos sejam mais virulentos do que os externos. Odeio não porque sinta a total diferença do objeto do meu desprezo, mas porque temo ser idêntico. Posso perdoar muita coisa, menos o espelho.

– Leandro Karnal, em “Todos Contra Todos”. Editora LeYa 2017.

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Made to be legends.

 

You tried to tell us it was all gonna end
We hear the noise and start to plan our revenge
And we’re hard to stop
We’re hard to stop.

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Rise up
This is where it begins.

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Guillotines decide

“We are all mysterious works of chance, of choice, of nature vs. nurture. So, to my galaxy of women, thank you for the nurture”. – Felix Dawkins

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Este é um fenômeno totalmente novo na história da humanidade: é importante aparecer em público. A importância de se exibir, até agora, era exclusiva de alguns assassinos em série, que queriam chamar a atenção dos jornais e da polícia. Agora, são as pessoas comuns que têm essa necessidade. É como compartilhar uma colonoscopia com o mundo.

UMBERTO ECO

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Nise da Silveira <3

“Desprezo as pessoas que se julgam superiores aos animais. Os animais têm a sabedoria da natureza. Eu gostaria de ser como o gato: quando não se quer saber de uma pessoa, levanta a cauda e sai. Não tem papo.”

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“Eu me sinto bicho. Bicho é mais importante que gente. Pra mim o teste é o bicho, se não passar por ele, não tem vez. Freud disse que quem pensa que não é bicho, é arrogante.”

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“Você vai trabalhar no SUAS”

O SUAS só pode ser um campo para os indignados: aqueles que esbravejam contra as desigualdades e injustiças que permeiam a vida dos nossos usuários, aqueles que esbravejam contra as dificuldades que permeiam a atuação dos trabalhadores do social. Podemos estar longe das transformações necessárias para a efetivação da política. Mas estamos no caminho.

De Lívia de Paula, em “Você Vai Trabalhar no SUAS”: Considerações sobre uma não-escolha.

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Nada é verdadeiramente uma desgraça.

Nada é verdadeiramente uma desgraça. Tudo depende da atitude em relação ao fato. “Todos os fatos são externos”, disse Marco Aurélio, “quem se manifesta a respeito deles? Tu. Logo, é a tua opinião que lhes dá vida para teu bem ou para teu mal”.

Quem procura a felicidade a encontrará, desde que transforme o interesse do próximo no seu próprio. A felicidade e, portanto, a alegria de viver significam aceitar a realidade e utilizar as possibilidades do dia-a-dia.

Finalmente, a fórmula mais concisa contra os desgostos, que podem destruir o amor à vida, quem nos dá é a filosofia hindu: “Se tuas penas têm remédio, por que te preocupas? Se não têm, por que te preocupas?”.

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– Porque o Homem Se Mata – Ensaio de Psicologia Criminal, Luíz Angelo Dourado, pg. 81

Livre de vírus. www.avast.com.
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Motivos para amar Assassin’s Creed Syndicate

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Embora eu não tenha jogado TODOS os jogos da franquia ainda, Assassin’s Creed sempre foi um título garantido na minha lista de compras e cada parte da saga me deixava entretida por horas a fio. No entanto, com o passar das histórias, tanto a similaridade entre o trajeto de cada assassino como a mecânica meio truncada do jogo me deixou desanimada.  Acabei deixando minha última aquisição – Black Flag – inacabada.


O ambiente.

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Mas quando eu soube que o próximo cenário seria na Londres vitoriana eu não resisti e resolvi dar mais uma chance aos Assassinos. Eu adoro a era vitoriana e não tinha como deixar um jogo em mundo aberto que se passa nessa época de lado.


Evie Frye.

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Não bastasse o primeiro chamariz, quando vi as primeiras imagens de Syndicate, me empolguei de vez: Uma mulher! Uma Assassina! Pela primeira vez em toda a franquia, uma personagem feminina jogável! UAU! Não dá pra acreditar que em pleno 2017 isso ainda seja um motivo de surpresa.

Evie Frye, poderosíssima, é irmã gêmea – mais velha por quatro minutos – de Jacob Frye (que é o típico Assassino já retratado tantas vezes nos jogos anteriores). Habilidosa, inteligente, carismática e tão protagonista quanto o irmão. Você pode selecionar com quais dos dois jogar, exceto em partes específicas, já que cada irmão toma caminhos diferentes no desenvolver da história, e CLARO que estou jogando com Evie em todas as oportunidades, só oferecendo ao Jacob o básico necessário pra que ele cumpra as missões dele.

É um alívio, como mulher gamer, ver outra mulher fazer parte e estar à frente de um título poderoso como AC. E sem ser objetificada ou subjulgada por isso. Tendo jogado apenas com homens Assassinos até então, posso dizer que o fato de percorrer os desafios com uma Assassina faz sim diferença na minha experiência, se não no jogo em si. Representatividade importa, gente. Ainda mais tendo os índices de mulheres gamers aumentado tanto ultimamente.


Representatividade.

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Não só Evie Frye toma liderança em Syndicate, mas muitas outras mulheres também. Claro, a maioria em papéis de vilã – líderes de gangues, snipers dos Blighters e a braço-direito de Crawfors Starrick, o malvadão da história -, mas ainda assim, rostos femininos que fazem a diferença.

Tem também uma personagem transexual! UAAAU! Ned Wynert (nascido Henrietta), é um homem de negócios e aliado de Evie e Jacob (e ouvi dizer que foi baseado em um personagem real). Ele está sempre por perto e no ponto do jogo em que estou ainda não ouvi uma palavra sequer sobre seu gênero, o que é fantástico!


Celebridades!

Por último, mas não menos importante, alguns célebres desfilam por nosso querido jogo e nos permitem ter pequenos deslumbres de como eles podem ter sido em seu tempo. Alexandre Graham Bell, Karl Marx, Charles Darwin, Charles Dickens e Jack, o Estripador, sendo os maios famosos deles.


Se, como eu, você havia aberto mão de Assassin’s Creed como um todo, ou se por qualquer motivo ainda não decidiu que seria uma boa ideia se aventurar pelas úmidas ruas londrinas, aceite minha sugestão de um bom passatempo e divirta-se – seja com a Evie ou com o Jacob.


“Uma revolução diferente está nascendo. Mais sutil. Uma chama das cinzas de uma velha irmandade. Nós vamos ressuscitar.” – J. Frye


Cheers, kiddos!

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I’ll drown in the wonders

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Yeah, I’ll be your pet, if you just tell me it’s a gift
Cuz I’m tired of whys, choking on whys,
Just need a little because, because
I let the beast in and then;
I even tried forgiving him, but it’s too soon
So I’ll fight again, again, again, again, again.
And for a little while more, I’ll soar the
Uneven wind, complain and blame
The sterile land
But if you’re getting any bright ideas, quiet dear
I’m blooming within
Fast as you can, baby wait watch me, I’ll be out
Fast as I can, maybe late but at least about
Fast as you can leave me, let this thing
Run its route
Fast as you can.

– Fiona Apple